Coluna

Ali e Acolá

Por Minas
Ana Elizabeth Diniz
Dezembro/Janeiro -

Izabel Martins/DivulgaçãoConfecção de presépio é tradição com mais de 100 anos em família de Itabirito

Galhos secos e retorcidos colhidos do chão que se transformavam em cestas, pedrinhas achadas na beira do rio, tampinhas, e tudo o que a vista alcançasse. Nas mãos de Joana Liomar da Silva, esses objetos davam vida a um presépio singelo, mas cheio de simbolismos. Essa tradição passou para sua filha Almerita Liomar da Silva que transmitiu para a filha Maria de Lourdes da Silva Martins Cardoso, 59, que já conta com a participação de seu marido Faustino Martins Cardoso, seus cinco filhos e o neto de quatro anos, que sai pelas ruas coletando tudo o que encontra e leva para a avó.

Foram muitos os endereços do presépio da família, mas há 35 anos ele é montado com esmero no bairro Capanema, em Itabirito. “Ainda me lembro do presépio da minha avó. Era a coisa mais linda de ser ver, de muita simplicidade, mas tudo encantador. Quando eu era criança saía com minha mãe e pegávamos louças e porcelanas que as pessoas jogavam no lixo. Chegávamos em casa e moldávamos os cacos com argila e dávamos vida a novas peças. Era muito chique. Usávamos também o adobe quebrado, nele nascia um lodo, que dava um visual verde muito bonito ao presépio”, relembra Lourdes.

O presépio centenário não tem nada de velho. Pelo contrário, a cada ano, ganha novos personagens e histórias, enredos e tramas do cotidiano pacato de Itabirito, mas também de outros lugares. Em sua família, cada um vai assumindo funções diferentes na montagem do presépio que atualmente recebe mais de 4.000 pessoas durante o mês de dezembro. São alunos de escolas locais, turistas que estão indo para Ouro Preto e estrangeiros. Somente no dia 24 de novembro, dia em que essa entrevista foi feita, Lourdes tinha recebido 150 pessoas em sua casa.

As casinhas, mesmo miúdas, são mobiliadas, tudo elaborado paciente e artesanalmente pela família, que usa papelão, pinhas, areia, pedras e plantinhas e outros materiais.  

A imaginação de Lourdes corre solta. A mente não para de criar novos ambientes. “O presépio ocupa uma área de 60 m² e tem quase 6.000 peças. Nele estão personagens da cidade e cenas do nosso dia a dia: o Exército, os policiais da delegacia local fazendo ronda, um casamento na igreja, o sapateiro, a costureira reformando roupas, feirantes do mercado vendendo frutas e legumes, o açougue, o salão de beleza, um cinema com exibição de DVD, creche, escola, lanchonete com crianças sentadas nas mesas se alimentando, cozinha com fogão a lenha, pessoas da terceira idade dançando, uma banca com revistas, jornais e balas coloridas em potes e um cadeirante.

“As pessoas ficam emocionadas com alguns personagens, como um homem na cadeira de rodas e com uma deficiência. A cada ano vou contando uma história diferente. Algumas são tristes, como a do ano passado, com o desastre de lama da Samarco. Um rio com peixes mortos e uma moça sentada olhando essa devastação são referências deste ano em relação a esse triste passado”, diz Lourdes.

SERVIÇO: O presépio pode ser visitado das 8h às 21h, até o dia 6 de janeiro, na rua Gonçalves Dias, 102, no bairro Capanema, em Itabirito

Paulo Cunha/Divulgação

Culinária

Pudim de leite condensado

Ingredientes:

1,5 lata de leite condensado

1 lata de leite (usar a medida da lata de leite condensado

3 ovos

 Para a calda:

1 xícara de chá de açúcar refinado

1/3 de xícara de água

Modo de preparo:

Bata no liquidificador os ingredientes para o pudim - leite, leite condensado e ovos.  Reserve. Prepare a calda: coloque o açúcar em fogo baixo, em uma panela de fundo grosso, e deixe derreter por completo. Acrescente água e mexa até ficar homogêneo. Despeje a calda em uma forma para pudim e em seguida a mistura que bateu no liquidificador. Leve para assar, em banho-maria, em forno pré-aquecido (140-160 graus), durante 40 minutos ou até dourar. Espere esfriar e deixe na geladeira por 5 horas. Vire em um prato e sirva.

Receita fornecida pelo Restaurante Faz de Conta, na rua Toronto, 1465 - Saída na BR 040 (BH-Rio) Km 548 - Jardim Canadá, em Nova Lima.

Luiz Pompeu/Divulgação

Tenho Dito

“O que eu mais gosto em Belo Horizonte é o clima agradável. Como a cidade é cercada por montanhas, isso cria um clima favorável para fazer exercícios na praça. O povo é muito acolhedor. Tenho familiares que moram fora e quando veem aqui ficam encantados, gosto dessa tradição da família mineira, desses encontros. Acho que o transporte poderia melhorar com a implantação de mais linhas de metrô, facilitando nossa locomoção pela cidade”.

Natasha Muzzi, 29, jornalista




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