Entrevista

Foco em inovação e tecnologia

Olavo Machado, presidente da Fiemg, diz que a entidade conta com diversos programas que podem gerar empregos e aumentar a qualidade de vida da população    
Ana Elizabeth Diniz
Dezembro/Janeiro -

Agência i7/Pedro VilelaPolítica e desenvolvimento podem caminhar juntas? Devem. É o que defende o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Olavo Machado. Ele diz que a entidade já tem um conjunto de programas em andamento que precisam do apoio do prefeito e do Legislativo e que a ideia é de trabalhar em parceria com a prefeitura em projetos de desenvolvimento de tecnologia e inovação e fortalecimento da economia.

 

 

De que forma as lideranças industriais vão dialogar com o novo prefeito eleito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil?

Ele terá dois desafios prioritários. O primeiro, no campo da política, será o de unir e pacificar a cidade, que se dividiu em três partes – os dois candidatos finalistas e um terceiro grupo formado pelos eleitores que se abstiveram, votaram em branco ou anularam o voto. É um cenário que confirma a rejeição da população à política como ela é praticada hoje, por líderes sem compromisso com a população e com os municípios, os estados e o país. Alexandre Kalil, que se elegeu dizendo que não é político, é o melhor exemplo dessa realidade e tem, portanto, a responsabilidade de trabalhar para mudá-la. O segundo grande desafio do prefeito eleito é o de trabalhar, efetivamente, em benefício de Belo Horizonte e de sua população, por meio do fortalecimento da economia da cidade e da geração de empregos de qualidade. A Fiemg está pronta para colaborar. Temos um conjunto de programas já em andamento e que precisam – e muito – do apoio do prefeito eleito, do vice-prefeito Paulo Lamac e dos vereadores, que também assumem seus mandatos em janeiro. Nosso objetivo é trabalhar em parceria com a prefeitura em projetos que qualifiquem a economia da cidade em termos de inovação, desenvolvimento de tecnologia e agregação de valor aos produtos gerados.

 

O senhor poderia citar alguns desses projetos?

Um bom exemplo é o Fiemg Lab, programa que visa identificar novos negócios e acelerar projetos de impacto tecnológico e de mercado. Ele já conta com parceiros importantes, como a CNI, Senai, Sesi, Sebrae, Codemig, Indi, Fapemig e a secretaria de Ciência, Tecnologia, Ensino Superior e Desenvolvimento Econômico. Em essência, propomos a transformação de tecnologia em negócio e estabelecemos uma conexão entre os universos da indústria e das startups. Outro projeto importante é o P7 Criativo, que resulta da transformação do prédio do antigo Bemge, na Praça Sete, em um grande polo de inovação e empreendedorismo nas áreas de tecnologia da informação e da comunicação e de economia criativa. O P7 Criativo visa inovar a cadeia produtiva de bens e serviços que usam criatividade e capital intelectual nas áreas do design, moda e audiovisual, entre outros, reunindo em um mesmo local profissionais e centros de produção. O foco é a educação voltada para o desenvolvimento de startups na área de tecnologia. O programa propõe-se a unir e apoiar as diversas iniciativas já existentes na área central da cidade, transformando o entorno da Praça Sete e da Praça da Estação em uma nova rota de desenvolvimento. Vamos somar esforços com o já instalado Seed, o 104 e o Museu de Artes e Ofícios, hoje apoiado e dirigido pela Fiemg, por meio do Sesi-MG.

 

A Fiemg tem incentivado também a área de tecnologia.

Sim, Pensando no desenvolvimento de inteligência e conhecimento em Belo Horizonte, a federação administra o Centro de Inovação e Tecnologia Senai-Fiemg, campus Cetec. Lá estão instalados oito institutos e uma gerência de metrologia que fazem a ponte entre as universidades e o setor produtivo. São cinco institutos de tecnologia, nas áreas de alimentos e bebidas, automotiva, meio ambiente, metal mecânica e química, e três de inovação, nas áreas de engenharia de superfícies, metalurgia e ligas minerais e processamento mineral. No campus funciona ainda o laboratório aberto, um ambiente de aprendizagem voltado para novos empreendedores e projetos de estímulo à economia criativa. Estão lá 30 startups, 12 micro e pequenas empresas e 25 mensalistas makers. São 23 mestres e 24 doutores dedicados a encontrar soluções para a indústria mineira, criando na região um polo de conhecimento e de integração entre a iniciativa privada e a academia. Apostamos que Belo Horizonte pode ser a capital brasileira do conhecimento, assim como o Rio de Janeiro é conhecido como a capital turística, São Paulo a de negócios e Brasília a política.

 

O Sesi é reconhecido como uma das maiores redes de ensino privado do estado. A educação tem capitaneado muitos projetos da entidade?

O que move a todos nós é a crença de que a educação é e sempre será fundamental para a construção de uma indústria forte, moderna, diversificada, inovadora, desenvolvedora de tecnologia e capaz de agregar valor ao produto industrial de Minas Gerais. O Sesi-MG apresenta resultados impressionantes. Nos últimos cinco anos tivemos 69 mil matrículas na educação básica e 32 mil alunos matriculados no programa educação de jovens e adultos. Desenvolvemos também o programa Escola Móvel. Com ele, o Sesi-MG esteve presente em 301 municípios mineiros, nos quais formou 39 mil alunos, com taxa de empregabilidade de 79%. Vale dizer: dos 39 mil alunos formados pela Escola Móvel, 30.810 conseguiram trabalho. No campo do ensino profissionalizante, é relevante o desempenho das unidades operadas pelo Senai-MG, incluindo 36 unidades operacionais com serviços tecnológicos, 28 laboratórios e mais de 3.000 empresas atendidas. No CIT – Campus Cetec, investimos 149 milhões de reais em estrutura e clientes do porte da ANP, Aperam, CBMM, Copasa, Fiat, GM, Gasmig, Gerdau, Igam, Iveco, Kinross, Petrobras, Renault, Rio Tinto, Vale e Votorantim. Em Itajubá, no Sul de Minas, estamos implantando, com previsão de operação em 2018, o ISI CEDIIEE, com investimento de 400 milhões de reais, de nove laboratórios. Na formação de técnicos qualificados para a indústria mineira, o Senai-MG recebeu, no período de 2011 a 2016, 690 mil alunos matriculados em cursos de aprendizagem industrial, cursos técnicos, cursos de qualificação e cursos de aperfeiçoamento. Em 2014 e 2015, alunos do Senai de Minas Gerais conquistaram, respectivamente, o 1º lugar na Olimpíada do Conhecimento Nacional e na Worldskills, que é a maior competição mundial na área do ensino profissionalizante. São resultados que nos animam a seguir adiante, com a crença de que educação gera conhecimento, inovação, tecnologia e competitividade.

 

A Fiemg lançou no dia 1º de dezembro, o programa Indústria Global, uma solução inovadora que habilita empresas do estado para o processo de expansão internacional. Conte-nos mais sobre ele.

É um programa de expansão global extremamente relevante para a indústria e economia mineira, uma vez que as exportações são alavancadas pela internacionalização. Por isso, a agenda internacional é considerada prioritária pelo sistema indústria. A iniciativa visa apoiar empresas mineiras no processo de inserção no mercado global, seja por meio de um escritório comercial, warehouse ou planta comercial. O projeto espera atender em 2017 e 2018, 30 empresas de setores prioritários como alimentos e bebidas, moda, tecnologia da informação, eletroeletrônico, metal mecânico e biotecnologia. Os setores prioritários do programa foram selecionados, em conjunto com a APEX Brasil, a partir de uma análise técnica referente aos potenciais dessas indústrias para expandirem internacionalmente. Indústrias de outros setores poderão se inscrever para o projeto e serão avaliadas caso a caso. Os serviços oferecidos serão de assessoria individualizada na estratégia de expansão das operações da empresa no exterior, coaching para elaboração de um plano de expansão internacional customizado, além de seminários sobre inserção no mercado global. O investimento para as empresas participantes é de 5 mil reais e contempla todas as fases do programa.

 




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