Editorial

Encantos e saberes da Canastra

Ana Elizabeth Diniz
Edição 42 - 17/04/2015

Conhecer um pouco mais a região que é considerada o berço da principal nascente do rio São Francisco foi um dos desafios desta expedição pelo Centro-Oeste mineiro. São Roque de Minas, uma pacata cidade com 4.700 habitantes na zona rural, tem atrativos como a própria serra que emoldura a paisagem e é protegida pelo Parque Nacional Serra da Canastra, que ocupa área de 200 mil hectares, abrangendo os municípios de São Roque de Minas, Sacramento, Delfinópolis, São João Batista do Glória, Capitólio e Vargem Bonita. Um cenário tão belo que inspirou o francês Jean-Baptiste Debret a pintar a cachoeira Casca d’Anta no século 19.

O clima, relevo e vegetação conferem características únicas ao queijo produzido na região (terroir) e que foi tombado como patrimônio cultural e imaterial desde 2011 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Visitando os produtores de queijo em suas propriedades, é possível entender a mudança de mentalidade no modo de fazer o queijo, considerado o terceiro mais famoso do Brasil, através da capacitação. Mesmo com a incorporação de novos modelos de queijarias, o saber tradicional continua preservado e intocável, conferindo um sabor inconfundível à iguaria.

Chama a atenção o projeto Pato Aqui, Água Acolá, desenvolvido pelo Instituto Terra Brasilis, organização não governamental, sem fins lucrativos, e que tem como foco a qualidade das águas por meio do monitoramento do pato-mergulhão (Mergus octosetaceus), espécie criticamente ameaçada de extinção e que é extremamente exigente de água de boa qualidade.

Na cidade de Luz, fomos conhecer criadores que substituíram a pecuária bovina pela raça bubalina, tido como mais econômica, lucrativa e promissora. Sua carne, dizem os produtores, é mais saborosa e tem 40% menos de colesterol. Grande parte do leite produzido na região é vendido para o Laticínio Piemontese, detentor da marca Borghese, que produz vários tipos especiais de queijos com sabor refinado.

Em Bambuí, conhecemos o diferencial da Natucentro, empresa que comercializa 2 mil quilos de própolis verde por mês, sendo 60% para o mercado mundial e tem no Japão seu principal comprador. Na região conhecida como Grande Pará de Minas, que abrange Pequi, Maravilha, São José da Varginha, Florestal e Onça do Pitangui são produzidos 6 milhões de pés de tomate e comercializadas 40 mil toneladas por ano de tomates tipo italiano, cereja e uva. Uma atividade econômica tão forte que envolve entre 60% a 70% das comunidades.




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